Com Nada além da verdade, o Tordesilhas publica no Brasil uma das mais promissoras vozes da nova geração de escritores americanos
Comparado ao escritor Saul Bellow pelo jornal The New York Times, Alex Gilvarry surpreende a crítica americana em romance de estreia pelo apurado domínio da técnica literária
Lançado em fevereiro de 2012 nos Estados Unidos, Nada além da verdade, de Alex Gilvarry, foi recebido com enorme entusiasmo pela crítica daquele país, que viu no jovem autor estreante uma promessa de conquistas literárias cada vez maiores. Respaldado por anos de pesquisa sobre o mundo da moda e em sua vivência pessoal da Era Bush, Gilvarry conta a história do estilista filipino Boyet Hernandez, que parte para Nova York em busca de realização profissional. O relacionamento de Boy, como passa a ser conhecido no cenário nova-iorquino da moda, com Ahmed, um “vendedor de tecidos”, acaba por colocá-lo na lista de suspeitos da Guerra ao Terror. Sem processo nem explicações, um dia Boy é levado para a base de Guantánamo e submetido a tratamento brutal, que ignora as convenções internacionais de direitos humanos.
Romance juvenil alemão é mergulho
na alma adolescente do século XXI e encantador elogio à descoberta da vida
O LIVRO
As férias do nerd Maik Klingenberg
naquele verão prometiam ser péssimas: a mãe, mais uma vez, fora internada numa
clínica de desintoxicação, e o pai teve que fazer uma “viagem de negócios” com
a secretária de dezenove anos. De quebra, a menina por quem Maik estava
superafim, Tatjana, “esquecera” de convidá-lo para sua festa de aniversário – a
balada mais aguardada do ano. O que prometia ser um tédio total muda
completamente quando Tchick, o colega mais esquisito da turma, aquele de
quem todos queriam distância, aparece com um velho Lada Niva roubado e acaba
por convencer Maik a viajar com ele até a Valáquia, para visitar os avós e...
umas primas gostosas. Valáquia?! Descobrir onde fica esse lugar seria bem mais
fácil do que chegar até lá, pois não é moleza atravessar um país sem mapa para
se orientar, sem carteira de motorista, com quase nenhum dinheiro e dirigindo
um carro roubado. Tudo isso aos catorzes anos de idade, e tendo a polícia nos
calcanhares.
Com 120.000 exemplares vendidos
na Alemanha (desde agosto de 2010), Tchick é mais que um romance de
aventura, repleta de peripécias narradas com muito bom humor e impressionante
agilidade: é a história de dois garotos que, de repente, resolvem descobrir,
afinal, o que é viver – mesmo sem saber que estavam fazendo isso. Os
aventureiros enfrentam situações que nunca experimentaram antes – algumas,
inclusive, em que correm grande perigo –, conhecem pessoas diferentes e até
estranhas – mas nem por isso ruins –, e descobrem o quanto a amizade pode ser
forte e importante na vida. É isso: Tchick é um romance sobre a
descoberta da vida.
TRECHO
“Provavelmente eu deveria sentir
culpa, me arrepender e o blá-blá-blá todo, mas, sinceramente, não sinto nada.
Estou apenas muito tonto. Arranho a batata da perna. Só que onde antes ficava
minha batata da perna agora não tem mais nada. Um fio de muco roxo fica colado
na minha mão. Isso não é sangue meu, eu disse antes, quando me
perguntaram. Afinal, tinha sangue o suficiente espalhado pela rua para os
interessados de plantão, e achei de verdade que não era meu sangue. Mas se não
é meu sangue, então onde está minha batata da perna?, me pergunto.
Arregaço a perna da calça e olho
para baixo. Tenho exatamente um segundo para me espantar. Se eu tivesse de
assistir a isso num filme, com certeza passaria mal, acho, e realmente estou
passando mal agora, neste posto da polícia rodoviária, o que de certa forma
também é tranquilizador. Por um breve momento vislumbro meu reflexo sobre o
linóleo se aproximando de mim, ouve-se um barulhão e desfaleço.”
A CRÍTICA
“Tchick é um belo romance de
aventura [...] que só tem uma desvantagem: acaba rápido demais.” — Jörg
Magenau, Deutschlandradio
“Então está provado: dá para
escrever histórias inteligentes e, ao mesmo tempo, muito engraçadas em alemão.”
– Ijoma Mangold, Süddeutsche Zeitung
“Rimos muito ao ler Tchick,
mas igualmente nos comovemos, algumas vezes até às lágrimas.Tchick é um
livro que deixa os adultos absolutamente felizes e é um presente sem qualquer
erro para os que, assim como os heróis do romance, são adolescentes.” — Gustav
Seibt,Süddeutsche Zeitung
O AUTOR
Wolfgang Herrndorf nasceu em
1965, em Hamburgo, Alemanha. Formado em pintura, foi ilustrador da editora
Haffmans, do fanzine Looke & Trooke e da revista mensal satíricaTitanic,
entre outras publicações. Em 2002 lançou seu romance de estreia, In
Plüschgewittern[Em tempestades de pelúcias]. Em 2004 recebeu o Kelag-Publikumspreis
e, em 2008, o Deutschen Erzählerpreis por Diesseits
des Van-Allen-Gürtels [Desse lado do cinturão de Van Allen]. Em 2011
venceu o Clemens-Brentano-Preis e foi indicado ao Preis der Leipziger
Buchmesse por Tchick. Ciente do tumor cerebral de que é vítima,
mantém blog em que, outras coisas, descreve seu estado de saúde
(http://www.wolfgang-herrndorf.de/).
FICHA TÉCNICA
Título: Tchick
Autor: Wolfgang Herrndorf
Tradução: Claudia Abeling
Texto de orelha: Santiago
Nazarian
Editora: Tordesilhas
Gênero: Romance
Capa e projeto gráfico: Kiko
Farkas e Adriano Guarnieri